Ontologia da Significação entre Fé e Razão
A presente reflexão propõe uma reconfiguração dos fundamentos ontológicos do real a partir da noção de atribuição de sentido . Sustenta-se que a existência não é anterior ao sentido, mas dele decorrente. Nesse modelo, tanto a razão quanto a fé deixam de ser instâncias epistemicamente hierarquizadas — onde a razão é tida como via legítima e a fé como crença inferior ou infundada — para serem compreendidas como manifestações distintas de uma mesma estrutura ontológica: o atribuidor de significado . É este que institui, sustenta e legitima a existência de tudo quanto é. Partimos da tese de que aquilo que chamamos “realidade” só se constitui como tal na medida em que é portadora de um sentido . Atribuir sentido não é um gesto posterior à existência do ente, mas é o próprio movimento que instaura sua existência como ente reconhecível, nomeável, vivenciável. Dessa forma, a existência não precede o sentido; ao contrário, é o sentido que torna algo existente, no plano da experiência, da lingua...